Imagens que circulam nas redes não mostram ato contra impostos ou regulamentação do trabalho por aplicativo, mas uma manifestação por segurança após a morte de entregadores no Rio de Janeiro.
Circula nas redes sociais um vídeo que mostra dezenas de motoboys reunidos em protesto, acompanhado de legendas que afirmam se tratar de uma manifestação contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra supostos impostos cobrados da categoria. A informação, no entanto, é falsa.
As publicações enganosas passaram a ser compartilhadas no X e no Facebook com mensagens que tentam associar o ato a uma revolta de entregadores de aplicativo contra uma suposta “taxação” imposta pelo governo federal. Apesar de o vídeo ser verdadeiro, ele está fora de contexto e foi usado de forma distorcida para sustentar uma narrativa falsa.
As imagens, na realidade, registram uma manifestação realizada em 26 de janeiro, no Rio de Janeiro, após a morte de dois motoboys durante o trabalho em um intervalo de menos de uma semana. O protesto foi motivado pela falta de segurança enfrentada pelos entregadores, e não por medidas tributárias ou regras de regulamentação da categoria.
O conteúdo original foi publicado nas redes sociais por Thiago Santana, que se apresenta como liderança dos motoboys no Rio. Nos posts falsos, porém, o vídeo foi editado e teve parte da gravação cortada. No trecho suprimido, o organizador do ato afirma que o grupo seguiria em direção ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio de Janeiro, deixando claro que a mobilização era voltada à cobrança por mais segurança pública.
A manifestação ocorreu após o assassinato do entregador Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, morto a tiros enquanto trabalhava fazendo a entrega de uma pizza na Zona Oeste da capital fluminense. O crime aconteceu poucos dias depois da morte de outro motoboy na Zona Norte, o que intensificou a indignação da categoria.
Em outra publicação feita na época, Thiago Santana convocou os trabalhadores para o protesto com um discurso centrado na violência enfrentada pelos entregadores nas ruas. Ele afirmou que a categoria não podia continuar “morrendo calada” e cobrou providências urgentes do poder público para garantir segurança no exercício da profissão.
A onda de desinformação ganhou força após discussões sobre o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos. Nas redes, usuários passaram a espalhar a alegação falsa de que o governo Lula pretendia “taxar” os entregadores em R$ 10 por corrida. Na prática, o valor debatido no projeto se refere a uma remuneração mínima a ser paga aos trabalhadores, e não a um imposto ou cobrança feita sobre a categoria.
O caso mostra como vídeos reais podem ser manipulados fora de contexto para enganar o público e alimentar disputas políticas nas redes sociais. Neste episódio, um protesto legítimo por segurança foi transformado de forma enganosa em peça de ataque político, distorcendo os fatos e desinformando a população.


