O presidente do Ultimate Fighting Championship, Dana White, confirmou a realização de um evento histórico da organização na Casa Branca, em 4 de julho de 2026, data em que os Estados Unidos celebrarão os 250 anos de sua independência.
Segundo o dirigente, o card terá como atração principal o confronto entre Ilia Topuria e Justin Gaethje, dois dos nomes mais explosivos do MMA atual. A luta promete ser um dos grandes momentos do evento comemorativo.
A iniciativa marca um capítulo inédito na história do UFC, já que será a primeira vez que a principal organização de artes marciais mistas do mundo realizará um evento dentro do complexo presidencial norte-americano.
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Histórico: UFC anuncia evento inédito na Casa Branca com Topuria x Gaethje como luta principa
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Decisão do Lyon sobre Endrick gera debate e levanta questionamentos na França
A escolha de iniciar o brasileiro Endrick no banco de reservas voltou a gerar repercussão no futebol europeu. O técnico do Olympique Lyonnais explicou que a decisão foi tomada como medida preventiva para evitar riscos de lesão, já que o jovem atacante vem sendo monitorado de perto pela comissão técnica.
Segundo o treinador, a gestão física do jogador é fundamental neste momento da temporada, principalmente por se tratar de um atleta ainda muito jovem e com grande expectativa em torno de seu desenvolvimento. Endrick, que pertence ao Real Madrid, é considerado uma das maiores promessas do futebol brasileiro.
A decisão, no entanto, gerou debates entre torcedores e analistas na França, que discutem se a estratégia de preservação pode impactar o ritmo de jogo do atacante ou se é a melhor forma de garantir sua evolução a longo prazo -

Franca vence o Minas fora de casa e sai na frente nas quartas da Champions League das Américas
O Franca Basquete conquistou uma vitória importante sobre o Minas Tênis Clube por 98 a 90 na noite de domingo, em Belo Horizonte, e abriu vantagem nas quartas de final da Basketball Champions League Americas 2025/26.
Jogando na Arena UniBH, o time paulista dominou o primeiro tempo e chegou ao intervalo com boa vantagem no placar. Na segunda etapa, o Minas reagiu e chegou a pressionar, mas o Franca conseguiu manter o controle nos minutos finais para confirmar o triunfo fora de casa.
Entre os destaques da partida estiveram Lucas Dias e David Jackson, pelo Franca, além de Jordan Williams e Alexandre Paranhos, que lideraram a pontuação do Minas.
As duas equipes voltam a se enfrentar nesta quarta-feira no Ginásio Pedrocão, em Franca. Se vencer novamente, o time paulista garante vaga no Final Four da competição continental. -

Palmeiras confirma favoritismo, vence o Novorizontino e conquista mais um título do Campeonato Paulista
O Palmeiras voltou a mostrar sua força no futebol paulista e conquistou mais um título do Campeonato Paulista. Na grande final disputada no domingo (8), o Verdão venceu o Grêmio Novorizontino por 2 a 1 e levantou a taça estadual diante de sua torcida.
Durante a decisão, o Palmeiras demonstrou maturidade, organização e a experiência de um elenco acostumado a grandes jogos. Mesmo enfrentando um adversário que surpreendeu ao longo da competição e chegou pela primeira vez à decisão, o time alviverde controlou a partida na maior parte do tempo e soube aproveitar as oportunidades para garantir a vitória.
O Novorizontino, que fez uma campanha histórica no torneio, ainda tentou reagir e pressionou em alguns momentos da final, mas encontrou dificuldades diante da sólida defesa palmeirense e da consistência do meio-campo do Verdão.
Com o triunfo, o Palmeiras confirma o favoritismo e amplia ainda mais sua galeria de conquistas estaduais. O título também reforça o excelente momento vivido pelo clube, que segue como uma das equipes mais dominantes do futebol brasileiro nos últimos anos.
A conquista aumenta a confiança da equipe para a sequência da temporada, na qual o Palmeiras buscará manter o alto nível nas principais competições nacionais e continentais. -

Duelo decisivo na NBA: Warriors e Jazz se enfrentam em jogo crucial na briga pelos playoffs
O Golden State Warriors volta à quadra nesta segunda-feira para um confronto importante contra o Utah Jazz pela temporada regular da National Basketball Association.
A partida será disputada no Delta Center, em Salt Lake City, e pode ter grande impacto na disputa por vagas nos playoffs da conferência. As duas equipes buscam um resultado positivo para se manterem firmes na corrida pela fase decisiva da liga.
Com grandes estrelas em quadra e clima de decisão, a expectativa é de um duelo intenso, que promete fortes emoções para os fãs da NBA. -

Rumo ao último Mundial: Cristiano Ronaldo se prepara intensamente para a Copa de 2026
A menos de 100 dias para a Copa do Mundo FIFA de 2026, o astro português Cristiano Ronaldo já concentra todos os esforços em sua preparação física para o que pode ser sua última participação no maior torneio do futebol mundial.
Atualmente defendendo o Al-Nassr, o atacante mantém uma rotina intensa de treinos e cuidados físicos para chegar em alto nível à competição. Mesmo aos 41 anos, Cristiano segue demonstrando dedicação e profissionalismo para continuar competitivo no cenário internacional.
A expectativa é grande em torno da participação do craque pela Portugal national football team, já que o Mundial de 2026 pode marcar a despedida definitiva de Ronaldo da principal competição do futebol mundial. -

Colonoscopia: entenda como é realizado o exame após casos de mortes registrados em Rondônia.
O procedimento é o principal exame utilizado para avaliar a saúde do intestino grosso e da porção final do intestino delgado. Realizado sob sedação, ele exige um preparo prévio para garantir a limpeza adequada do intestino.
A Colonoscopia é o principal exame utilizado para avaliar a saúde do intestino grosso e da parte final do intestino delgado. O procedimento é realizado sob sedação, costuma ser indolor e exige um preparo prévio para a limpeza do intestino.
Embora seja considerado um exame seguro e fundamental para o diagnóstico precoce de doenças, incluindo o Câncer colorretal, nesta semana foi denunciado à polícia em Rondônia um segundo caso de morte após a realização do procedimento.
De acordo com relatos, durante o exame teria ocorrido uma perfuração no intestino do paciente, e os médicos informaram que seria necessária uma cirurgia de emergência para tentar controlar a complicação.
Segundo familiares, os procedimentos teriam sido realizados na mesma clínica e pelo mesmo médico mencionados no caso de Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que morreu no último sábado (28) após passar por uma colonoscopia.
Como o exame é realizado?
Durante a Colonoscopia, o paciente recebe sedação para evitar desconforto durante e após o procedimento. Por esse motivo, é necessário permanecer em observação até a recuperação da anestesia e a retomada da alimentação, sendo comum a liberação entre uma e duas horas após o exame. A presença de um acompanhante é obrigatória para acompanhar o paciente no momento da alta.
O exame permite a visualização completa do intestino grosso, além da porção final do intestino delgado, possibilitando a avaliação detalhada dessas estruturas.
Durante a Colonoscopia, um aparelho flexível equipado com iluminação e uma câmera na extremidade é introduzido pelo ânus do paciente. O exame costuma durar, em média, entre 30 e 40 minutos.
O procedimento permite observar detalhadamente a parte interna do intestino e identificar possíveis alterações na mucosa intestinal, como tumores ou pólipos.
Como é feita a preparação?
Antes do exame, o paciente precisa realizar um preparo intestinal com o uso de laxantes, que estimulam a evacuação. Esse processo é necessário para que o intestino esteja livre de fezes e resíduos alimentares, permitindo uma avaliação adequada da parede intestinal.
Na maioria dos casos, o preparo é realizado em casa, seguindo orientação médica. No entanto, dependendo das condições de saúde do paciente, ele pode ser feito diretamente no hospital.
Quando o exame é indicado?
De modo geral, a colonoscopia é indicada para investigar sintomas que possam estar relacionados ao câncer no intestino ou a outras doenças do trato intestinal.
Para pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, a recomendação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico. Por exemplo, se um parente de primeiro grau foi diagnosticado aos 40 anos, o ideal é realizar a primeira colonoscopia aos 30.
Nos demais casos, o exame costuma ser recomendado a partir dos 45 anos, principalmente como medida preventiva para a detecção precoce de doenças intestinais.
Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a Colonoscopia deve ser realizada independentemente da idade quando surgem sinais que podem indicar problemas intestinais. Entre eles estão presença de sangue nas fezes, massa abdominal endurecida, dor na região do abdômen, perda de peso sem causa aparente, anemia e alterações no hábito intestinal.
O que acontece após o exame?
Depois do procedimento, o paciente é encaminhado para a sala de recuperação, onde permanece em repouso por cerca de 40 minutos até se recuperar da sedação.
Após a alta, a principal orientação é evitar alimentos gordurosos ou que provoquem excesso de gases, o que ajuda a reduzir possíveis desconfortos digestivos.
Há riscos ou contraindicações?
Especialistas explicam que, de forma geral, a colonoscopia não possui contraindicações absolutas e é considerada um procedimento seguro.
Ainda assim, pacientes com condições clínicas mais delicadas, como doenças crônicas ou obesidade, podem precisar de cuidados adicionais durante o preparo intestinal e a sedação.
Entre os efeitos mais comuns após o exame estão:
- dores abdominais
- cólicas
- gases
- presença de sangue nas fezes
- diarreia
⚠️ A perfuração intestinal durante a colonoscopia é considerada uma complicação rara, com incidência muito baixa em exames realizados de rotina.
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Medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1, como o Ozempic, podem ajudar a reduzir o vício em diferentes substâncias, apontam estudos.
Com os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 se tornando mais acessíveis e baratos, eles também podem passar a estar ao alcance de um número maior de pessoas como possível alternativa no tratamento da dependência química
Um paciente meu, um veterano militar que tentava parar de fumar havia mais de uma década, relatou que perdeu o interesse pelo cigarro depois de iniciar o uso de um medicamento da classe Agonistas do receptor GLP-1 para tratar diabetes. Ele não utilizou adesivos de nicotina nem estabeleceu uma data para parar de fumar — simplesmente deixou de sentir vontade de fumar, de forma quase espontânea.
Outro paciente, que utilizava um desses medicamentos para perda de peso, contou que o álcool também deixou de exercer o mesmo apelo. Isso ocorreu após anos de tentativas frustradas de interromper o consumo.
Relatos semelhantes têm surgido entre pessoas que enfrentam diferentes tipos de dependência, desde o uso de opioides até comportamentos compulsivos ligados a jogos de azar e apostas. Essas experiências têm sido compartilhadas em consultórios médicos, nas redes sociais e até em conversas informais. Em muitos casos, os pacientes não iniciaram o tratamento com o objetivo de abandonar o vício, mas acabaram percebendo uma redução no desejo por substâncias ou comportamentos considerados viciantes — um fenômeno que chama a atenção por sua amplitude e ainda está sendo investigado pela medicina.
Mas os relatos desses pacientes também apontavam para uma pista importante. Pessoas que utilizam medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 frequentemente mencionam o desaparecimento do chamado “ruído alimentar” — aquela conversa mental constante sobre comida que costumava dominar o dia a dia e que, com o tratamento, tende a diminuir.
O que chamou ainda mais atenção foi que esse efeito não parecia se limitar à alimentação. Muitos pacientes relataram que os pensamentos recorrentes relacionados a fumar, beber ou usar drogas, que frequentemente levam à recaída mesmo quando há esforço para parar, também estavam se tornando menos intensos.
Como médico que acompanha pacientes em tratamento com medicamentos GLP-1 e como cientista dedicado a investigar questões urgentes de saúde pública — que vão desde a COVID longa até a segurança de medicamentos —, percebi um problema evidente: muitos tipos de dependência ainda não possuem tratamentos aprovados ou amplamente eficazes.
Os poucos medicamentos atualmente disponíveis para tratar dependências são pouco utilizados e, além disso, nenhum deles é eficaz para todos os tipos de substâncias. Diante disso, a possibilidade de que um medicamento já utilizado por milhões de pessoas pudesse produzir efeitos inéditos no tratamento de vícios era significativa demais para ser ignorada.
Por esse motivo, minha equipe decidiu investigar se os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 — como Semaglutida (presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy) e Tirzepatida (utilizada em Mounjaro e Zepbound) — poderiam produzir um efeito que os tratamentos atuais para dependência não conseguem alcançar: reduzir diretamente a fissura, ou seja, o desejo intenso associado ao uso de substâncias.
Segundo os resultados obtidos até agora, as evidências indicam de forma consistente que esses medicamentos podem ter esse efeito.
Base biológica da fissura
O hormônio que esses medicamentos imitam — o GLP-1 — não é produzido apenas no intestino. Ele também atua no cérebro, onde seus receptores se concentram em regiões responsáveis por recompensa, motivação e resposta ao estresse, áreas que fazem parte do circuito neural frequentemente associado ao desenvolvimento do vício.
Em doses terapêuticas, os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e reduzir a sinalização da Dopamina no centro de recompensa do cérebro. Com isso, substâncias potencialmente viciantes tendem a se tornar menos gratificantes para o organismo.
Estudos experimentais indicam que esses medicamentos podem diminuir a fissura por diferentes substâncias em modelos animais. Em testes de laboratório, por exemplo, roedores tratados com medicamentos GLP-1 passaram a consumir menos álcool, autoadministrar menos cocaína e demonstrar menor interesse por nicotina.
Em outro experimento, pesquisadores administraram Semaglutida a macacos-vervet — primatas que consomem álcool voluntariamente de maneira semelhante aos humanos. Após o tratamento, os animais reduziram a ingestão de álcool sem apresentar náusea ou alteração no consumo de água, o que sugere que a droga diminuiu o valor de recompensa do álcool, e não apenas provocou mal-estar.
De animais para pessoas
Para investigar se esses efeitos também ocorrem em humanos, os pesquisadores analisaram registros eletrônicos de saúde de mais de 600 mil pacientes com Diabetes tipo 2 atendidos pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos, que mantém um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo.
Desenvolvemos um estudo que buscou aplicar aos dados do mundo real o mesmo rigor utilizado em ensaios clínicos randomizados, considerados o padrão-ouro na medicina. Para isso, comparamos pacientes que iniciaram tratamento com medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 com outros que não utilizaram esses fármacos. As análises levaram em conta diferenças de histórico de saúde, características demográficas e outros possíveis fatores de confusão, acompanhando os dois grupos por um período de três anos.
A equipe investigou duas questões principais. A primeira foi verificar se, entre pessoas que já enfrentavam problemas de dependência, o uso desses medicamentos poderia reduzir casos de overdose, hospitalizações relacionadas ao uso de drogas e mortes associadas.
A segunda pergunta foi se, entre indivíduos sem histórico de transtorno por uso de substâncias, os medicamentos GLP-1 poderiam diminuir o risco de desenvolver dependência relacionada às principais substâncias associadas ao vício, como álcool, opioides, cocaína, cannabis e nicotina.
Os resultados do estudo chamaram a atenção. Entre pessoas que já enfrentavam problemas de dependência, aquelas que utilizavam medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 apresentaram 50% menos mortes relacionadas ao uso de substâncias em comparação com pacientes que não utilizavam esses medicamentos.
Os dados também apontaram 39% menos casos de overdose, 26% menos hospitalizações relacionadas ao uso de drogas e 25% menos tentativas de suicídio. Ao longo de três anos, essa diferença representou cerca de 12 eventos graves a menos para cada 1.000 pessoas tratadas com medicamentos GLP-1, incluindo aproximadamente duas mortes a menos.
Reduções desse nível são incomuns na medicina voltada ao tratamento da dependência. Um aspecto que chama atenção é que os medicamentos analisados foram inicialmente desenvolvidos para tratar Diabetes tipo 2, posteriormente passaram a ser utilizados no tratamento da obesidade e não foram originalmente criados para combater a dependência química.
Além disso, os resultados indicam que esses medicamentos também podem ter um efeito preventivo. Entre pessoas sem histórico de transtorno por uso de substâncias, o uso de GLP-1 esteve associado a 18% menos risco de desenvolver transtorno por uso de álcool, 25% menos risco de transtorno por uso de opioides e cerca de 20% menos risco de dependência relacionada à cocaína e à nicotina.
Considerando um período de três anos, essa redução representou aproximadamente seis a sete novos diagnósticos a menos para cada 1.000 usuários de medicamentos GLP-1.
Com dezenas de milhões de pessoas já utilizando medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1, reduções em mortes, overdoses, hospitalizações e novos diagnósticos poderiam representar milhares de eventos graves evitados todos os anos.
Evidências convergentes
Os resultados do estudo também se somam a um conjunto crescente de evidências científicas.
Uma pesquisa nacional realizada na Suécia, com cerca de 227 mil pessoas com transtorno por uso de álcool, mostrou que pacientes que utilizavam medicamentos GLP-1 apresentaram 36% menos risco de hospitalizações relacionadas ao álcool. No mesmo estudo, o medicamento Naltrexona — considerado um dos tratamentos aprovados mais eficazes para esse tipo de dependência — foi associado a uma redução de 14%.
Outros estudos observacionais também relacionaram o uso de medicamentos GLP-1 a menores taxas de novos casos e recaídas em transtornos relacionados ao álcool, além de reduções em diagnósticos ligados ao uso de Cannabis, menos consultas médicas associadas à dependência de Nicotina e menor risco de overdose por Opioides.
Paralelamente, ensaios clínicos randomizados que investigam diretamente o impacto desses medicamentos no tratamento da dependência também apresentam resultados promissores.
Em um desses estudos, a Semaglutida demonstrou reduzir tanto o desejo quanto o consumo de álcool em pessoas com transtorno por uso da substância. Em outro ensaio, a Dulaglutida também foi associada à diminuição no consumo de álcool.
Atualmente, mais de uma dúzia de novos ensaios clínicos estão em andamento ou com inscrições abertas para participantes, enquanto outros estudos semelhantes ainda estão em fase de planejamento.
O futuro do tratamento da dependência
Os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 podem representar uma mudança importante no tratamento das dependências. Até agora, são os primeiros fármacos a demonstrar potenciais benefícios em diferentes tipos de substâncias ao mesmo tempo.
Outro aspecto relevante é que, ao contrário de muitos medicamentos usados atualmente no tratamento da dependência — que costumam ser prescritos por especialistas e ainda são pouco utilizados —, os medicamentos GLP-1 já são amplamente prescritos por médicos de atenção primária. Na prática, isso significa que a infraestrutura para alcançar milhões de pacientes já está estabelecida.
A eficácia observada em relação a substâncias como álcool, opioides, cocaína, nicotina e cannabis sugere que esses medicamentos podem atuar sobre uma vulnerabilidade biológica comum associada ao vício, em vez de agir apenas em mecanismos específicos de cada substância. Se essa hipótese for confirmada, ela poderá representar uma mudança significativa na forma como a sociedade compreende a dependência e na maneira como os médicos tratam o problema.
Apesar do potencial, ainda existem questões importantes em aberto. Muitas pessoas que utilizam medicamentos GLP-1 para tratar Obesidade ou Diabetes tipo 2 acabam interrompendo o tratamento. Quando isso acontece, é comum que o apetite retorne e parte do peso perdido seja recuperada.
Ainda não se sabe se um efeito semelhante poderia ocorrer no tratamento da dependência, nem quais seriam as consequências para pessoas em recuperação caso a fissura intensa voltasse a surgir. Também não está claro se os benefícios desses medicamentos se mantêm ao longo de anos de uso contínuo ou se o cérebro pode se adaptar de forma a reduzir esses efeitos com o tempo.
Além disso, como os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 atuam no circuito de recompensa do cérebro — sistema que regula não apenas o desejo, mas também a motivação cotidiana — existe a hipótese de que o uso prolongado possa, em alguns casos, reduzir a motivação geral. Ainda não se sabe se isso poderia influenciar aspectos do dia a dia, como iniciativa, competitividade ou desempenho no trabalho.
O que vem a seguir
Atualmente, os medicamentos GLP-1 não são aprovados para o tratamento da dependência química, e ainda não há evidências suficientes para que sejam prescritos especificamente com esse objetivo. No entanto, para milhões de pessoas que já consideram iniciar o uso desses medicamentos para tratar Diabetes tipo 2, Obesidade ou outras indicações aprovadas, esse possível efeito adicional pode ser um fator relevante a ser considerado.
Por exemplo, um paciente com diabetes que também esteja tentando parar de fumar pode optar por um medicamento GLP-1 em vez de outro fármaco para controle da glicose. Nesse caso, a escolha não ocorreria porque o medicamento é aprovado para cessação do tabagismo, mas porque ele pode oferecer um benefício adicional potencial, algo que outros medicamentos para diabetes não proporcionam.
De forma semelhante, pessoas que convivem com obesidade e também enfrentam dificuldades relacionadas ao consumo de álcool podem considerar os medicamentos GLP-1 não apenas pelo potencial de perda de peso, mas também pelos possíveis efeitos adicionais no controle do comportamento de consumo.
Se estudos adicionais confirmarem que os medicamentos da classe Agonistas do receptor GLP-1 realmente conseguem reduzir o desejo por substâncias associadas à dependência, eles poderão ajudar a preencher uma das maiores lacunas da medicina no tratamento do vício.
Nesse cenário, um dos avanços mais promissores das últimas décadas na área pode ter surgido não a partir de uma pesquisa originalmente voltada para a dependência, mas dos relatos de pacientes que perceberam um efeito inesperado durante o tratamento. Assim como aconteceu com um dos pacientes mencionados — que conseguiu parar de fumar após anos de tentativas —, a mudança ocorreu de forma natural, sem grande esforço.
* Ziyad Al-Aly recebe financiamento do U.S. Department of Veterans Affairs.
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Óvulo pode “selecionar” o espermatozoide mais rápido e influenciar qual deles irá fecundá-lo, apontam estudos.
Estudos indicam que sinais químicos liberados pelo óvulo podem atrair determinados espermatozoides mais do que outros, um fenômeno que pode variar de acordo com a combinação genética entre homem e mulher.
Durante muito tempo, a fertilização humana foi descrita como uma espécie de corrida, na qual milhões de espermatozoides competiriam para alcançar o óvulo, e o vencedor seria simplesmente o mais rápido.
Pesquisas mais recentes em biologia reprodutiva, no entanto, indicam que o processo pode ser mais complexo do que essa explicação tradicional. Em vez de apenas aguardar a chegada dos espermatozoides, o óvulo também pode participar ativamente da interação.
É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
Publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B, o estudo mostrou que o fluido folicular — líquido que envolve o óvulo no momento da ovulação — libera sinais químicos capazes de atrair determinados espermatozoides mais do que outros.
Na prática, isso indica que o óvulo pode influenciar quais espermatozoides têm maior probabilidade de alcançá-lo e realizar a fecundação, como se houvesse uma espécie de “seleção” durante o processo.
Uma comunicação química invisível
Esse mecanismo é conhecido como Quimioatração espermática.
Durante o processo reprodutivo, substâncias liberadas pelo complexo formado pelo óvulo e pelas células que o envolvem funcionam como sinais químicos capazes de orientar o movimento dos espermatozoides dentro do trato reprodutor feminino.
De acordo com Bernardo Hermanson, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, esses sinais ajudam a atrair os espermatozoides que têm maior capacidade de alcançar o local onde ocorre a fertilização.
“Essas moléculas atuam como um sistema de orientação. Elas recrutam os espermatozoides capazes de responder ao gradiente químico e chegar até o óvulo”, explica.
Entre as substâncias mais estudadas nesse processo está a Progesterona. O hormônio pode ativar canais presentes nos espermatozoides e alterar seu padrão de movimento, permitindo que eles sigam o gradiente químico em direção ao óvulo.
Compatibilidade entre os gametas
Os experimentos também indicam que essa atração química pode variar conforme a combinação entre homem e mulher.
Isso significa que um mesmo espermatozoide pode reagir de forma mais intensa aos sinais químicos de determinado óvulo do que aos de outro.
Para Hermanson, esse fenômeno sugere a existência de um certo grau de compatibilidade funcional entre os gametas.
“A atração do espermatozoide pelo fluido folicular depende muito da combinação específica entre homem e mulher. Não se trata apenas de qual sêmen é melhor ou qual fluido é melhor, mas de como eles interagem”, afirma.
Essa interação pode envolver fatores genéticos, bioquímicos e imunológicos, que ainda estão sendo investigados pelos pesquisadores.
Uma possível peça no quebra-cabeça da infertilidade
Essa hipótese também levanta uma possibilidade importante: em alguns casos, a fertilização pode ser difícil mesmo quando os exames indicam que óvulos e espermatozoides estão saudáveis.
Segundo Bernardo Hermanson, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, o fenômeno pode ajudar a explicar parte dos casos de infertilidade sem causa aparente, situação em que os testes tradicionais não identificam alterações.
“O casal pode apresentar gametas considerados normais nos exames convencionais, mas ainda assim existir uma comunicação química ineficiente entre eles”, explica o especialista.
Ele ressalta, no entanto, que essa relação ainda não foi comprovada diretamente em humanos fora do ambiente de laboratório.
“Os estudos demonstram que o fenômeno existe e é consistente em laboratório, mas ainda não há evidência de que ele seja, de fato, responsável por casos de infertilidade no organismo humano”, afirma.
Nem todos os espermatozoides são iguais
Outro ponto relevante é que, dentro de um mesmo ejaculado, os espermatozoides não respondem de forma idêntica aos sinais químicos liberados pelo óvulo.
Apenas uma pequena parcela das células que alcançam o local da fertilização está em um estágio conhecido como Capacitação espermática, condição que as torna aptas a fecundar o óvulo.
Por isso, pequenas diferenças na capacidade de responder aos sinais químicos podem influenciar quais espermatozoides conseguem chegar até o óvulo.
O que ainda falta entender
Apesar dos resultados considerados promissores, pesquisadores ainda buscam compreender qual é o real impacto desse mecanismo no processo de fertilização humana.
Grande parte desses experimentos é realizada em laboratório, em condições controladas e simplificadas, que não reproduzem totalmente o ambiente do corpo humano. No organismo, os espermatozoides precisam percorrer um caminho complexo pelo trato reprodutor feminino até alcançar o óvulo.
Mesmo assim, compreender melhor essas interações pode abrir novas perspectivas para a medicina reprodutiva, além de ajudar cientistas a entender com mais precisão como ocorre o processo de fertilização humana.
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Atendimentos por Fibromialgia aumentam 35% em São Paulo.
Os dados também apontam crescimento nos casos que demandaram internação hospitalar. Apesar dos desafios relacionados ao diagnóstico, a rede pública disponibiliza atendimento multidisciplinar aos pacientes.
Os atendimentos ambulatoriais relacionados à Fibromialgia cresceram 35% em 2025 no estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo. No ano passado, foram registrados 38.662 atendimentos ambulatoriais, contra 28.640 realizados em 2024.
Os dados também apontam aumento nos casos que exigiram internação hospitalar por fibromialgia. Nos últimos três anos, o número de registros quintuplicou: foram 39 internações em 2023, 118 em 2024 e 198 em 2025. A hospitalização pode ser necessária, por exemplo, quando as crises de dor se tornam mais intensas ou quando surgem complicações associadas, como a Síndrome do intestino irritável.
Na capital paulista, a tendência de alta também se mantém. Somente em 2025, as Unidades Básicas de Saúde registraram 24.421 atendimentos, envolvendo 14.882 pacientes com suspeita ou diagnóstico de fibromialgia, classificada pelo código CID M79.7.
Fibromialgia passa a ser reconhecida como deficiência
O diagnóstico da Fibromialgia é considerado um passo importante para melhorar o tratamento e a qualidade de vida das pessoas que convivem com a condição.
O crescimento dos registros na rede pública de saúde ocorre em meio a mudanças recentes na legislação. Desde janeiro deste ano, a fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiênciano país. A medida está prevista na Lei nº 15.176, sancionada em julho de 2025, que amplia direitos e estabelece proteção para pessoas com fibromialgia, Síndrome da fadiga crônica, Síndrome de dor regional complexa e outras condições relacionadas.
A fibromialgia é uma condição reumatológica caracterizada principalmente por dor generalizada no corpo, além de sintomas como fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e ansiedade. As causas ainda não são totalmente compreendidas, e o diagnóstico costuma ser clínico, realizado por especialistas após a exclusão de outras doenças.
No Sistema Único de Saúde, o primeiro atendimento geralmente ocorre na atenção básica, por meio das Unidades Básicas de Saúde administradas pelos municípios. Essas unidades são responsáveis pelo acompanhamento inicial e pelo encaminhamento dos pacientes, quando necessário, para serviços especializados da rede estadual.
A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo oferece atendimento inicial para casos de Fibromialgia nas 480 Unidades Básicas de Saúde da cidade. Nessas unidades, equipes multiprofissionais realizam a avaliação dos pacientes e definem a linha de cuidado mais adequada para cada situação.
A capital paulista também disponibiliza as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, que podem ser utilizadas como parte do tratamento quando indicadas pelos profissionais de saúde.
Outro componente da rede de atendimento são os Centros de Referência da Dor, considerados pioneiros no país. O serviço é voltado para pessoas a partir de 13 anos que convivem com dor crônica há mais de três meses e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. O acesso ao atendimento é feito exclusivamente por encaminhamento das UBSs.
Desde 2021, o serviço vem registrando crescimento contínuo no número de atendimentos, incluindo as demandas relacionadas ao diagnóstico de Fibromialgia. Somadas, as seis unidades regionais — Leste, Sudeste, Norte, Sul, Oeste e Centro — já contabilizam 667.804 atendimentos no período.
A evolução anual foi a seguinte:
- 36.587 atendimentos em 2021
- 40.552 em 2022
- 109.267 em 2023
- 250.094 em 2024
- 241.304 em 2025
“É uma síndrome traiçoeira”
A autônoma Ailana Torres Yassutake, moradora de Barueri, relembra que, quando recebeu o diagnóstico de fibromialgia, há cerca de dez anos, a doença ainda era pouco conhecida. Na busca por respostas para os sintomas, ela precisou viajar para outros estados para investigar o caso.
“Passei por uma investigação extensa, consultando vários especialistas, até ser encaminhada para um neuropsiquiatra em Goiânia. Foi lá que recebi o diagnóstico e comecei a entender o que estava acontecendo comigo”, relata.
Ailana conta que convive diariamente com sintomas como dor generalizada, rigidez muscular, fadiga intensa, insônia e dificuldade de concentração, condição frequentemente descrita por pacientes como “névoa mental”. Com o passar dos anos, também desenvolveu Depressão, Ansiedade e Síndrome do intestino irritável. Atualmente, ela também passa por investigação de possível autismo tardio.
O tratamento da Fibromialgia exige acompanhamento de diferentes especialistas, entre eles psicólogo, psiquiatra, reumatologista, neurologista, ortopedista e fisioterapeuta. Além do uso de medicamentos, Ailana também recorre a terapias naturais, incluindo diferentes formas de canabidiol.
Para a ativista, que participou das mobilizações pela aprovação da nova legislação, o reconhecimento da fibromialgia como deficiência representa um avanço importante.
“É uma vitória. Lido com algo que ninguém vê. Penso nas mulheres que dependem do Sistema Único de Saúde e que muitas vezes aguardam meses por uma consulta. Agora, a luta é pela implementação efetiva dos tratamentos”, afirma.
Desafios para o diagnóstico da fibromialgia
O ortopedista Maurício Leite, que se especializou no tratamento da doença e participou de debates públicos sobre seu reconhecimento como deficiência, explica que o diagnóstico da fibromialgia continua sendo essencialmente clínico.
Segundo o médico, não existe exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar a doença. Por isso, muitos pacientes realizam diversos exames apenas para descartar outras condições, como a Artrite reumatoide.
“Os critérios diagnósticos estão bem definidos na literatura médica e há protocolos estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Reumatologia”, afirma.
De acordo com o especialista, o crescimento nos registros de atendimento não significa necessariamente aumento real da incidência da doença, podendo refletir maior reconhecimento e diagnóstico da condição.
“Hoje há maior acesso à informação e as investigações clínicas são mais detalhadas”, afirma o especialista.
Dificuldades enfrentadas por quem convive com a doença
A Fibromialgia é marcada por um padrão de sintomas variável, com períodos de melhora alternados com fases de dor intensa e maior limitação. Essa característica pode dificultar tanto o diagnóstico quanto a rotina social e profissional dos pacientes.
Muitas pessoas que convivem com a doença relatam enfrentar estigmas e incompreensão, sendo frequentemente rotuladas de forma equivocada como “preguiçosas”. Embora possam ocorrer períodos de maior incapacidade, a condição raramente leva à incapacidade permanente.
Atualmente, não existe um medicamento específico capaz de tratar a fibromialgia de forma isolada. Por isso, o tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo diferentes abordagens terapêuticas, como:
- uso de medicamentos para controle da dor;
- acompanhamento psiquiátrico;
- psicoterapia;
- ajustes na alimentação;
- controle de comorbidades;
- prática de atividade física supervisionada.
Além do tratamento médico, o apoio familiar e social é considerado fundamental para a qualidade de vida dos pacientes.
Também são recomendadas medidas de prevenção e controle dos sintomas, entre elas:
- manter uma rotina de sono adequada;
- praticar atividade física com orientação profissional;
- adotar uma alimentação equilibrada;
- desenvolver estratégias para manejo do estresse;
- realizar acompanhamento médico contínuo.