Batizado de Foundayo, medicamento oral aprovado nos Estados Unidos promete praticidade no uso e perda média de até 15% do peso corporal
A aprovação de uma nova pílula contra a obesidade nos Estados Unidos marca mais um avanço na corrida global por tratamentos mais práticos e eficazes para a perda de peso. Nesta quarta-feira (1º), a agência reguladora norte-americana, a FDA, autorizou o uso do orforglipron, medicamento desenvolvido pela Eli Lilly — mesma farmacêutica responsável pelo Mounjaro — que será comercializado com o nome Foundayo.
A novidade reforça o movimento de expansão das terapias voltadas ao emagrecimento, agora com a promessa de facilitar a rotina dos pacientes. De acordo com os resultados de testes clínicos, pessoas com obesidade que utilizaram o medicamento apresentaram redução média de 12% a 15% do peso corporal, desempenho que coloca a nova pílula entre as principais apostas do setor.
O Foundayo chega ao mercado como a segunda pílula diária para perda de peso aprovada pela FDA. A primeira foi a versão em comprimido do Wegovy, da Novo Nordisk, liberada em dezembro de 2025. Embora especialistas apontem que os dois medicamentos tenham eficácia semelhante, o diferencial do novo produto da Eli Lilly está justamente na praticidade: o comprimido pode ser ingerido a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos.
Esse detalhe pode representar um ganho importante na adesão ao tratamento. Isso porque o comprimido do Wegovy exige uso em jejum e em horário específico, o que costuma dificultar a rotina de parte dos pacientes. Em um cenário em que o tratamento da obesidade passa a ser cada vez mais individualizado, conveniência, custo e tolerabilidade ganham peso na decisão médica.
A Eli Lilly informou que começará a comercializar o Foundayo em 6 de abril, com preço inicial de US$ 149 na dose mais baixa — cerca de R$ 768 na cotação atual. O valor faz parte de um acordo anunciado anteriormente pelo governo dos Estados Unidos. A expectativa é que o medicamento também seja incorporado por parte do sistema público Medicare, além de planos privados de saúde, ampliando o acesso à nova terapia.
Além do uso contra a obesidade, o remédio também mostrou resultados relevantes em pacientes com diabetes tipo 2. Em estudos clínicos, a dose mais alta do orforglipron levou a uma redução média de 2,2 pontos percentuais na hemoglobina A1C, um dos principais indicadores de controle da glicemia. Diante desses resultados, a Eli Lilly já anunciou que pretende pedir ainda neste ano a aprovação do medicamento também para o tratamento do diabetes.
O funcionamento do Foundayo segue a linha de outras terapias modernas para emagrecimento: ele atua imitando um hormônio natural do organismo, ajudando a reduzir o apetite e a controlar os níveis de açúcar no sangue. Os efeitos colaterais observados nos testes foram semelhantes aos registrados em outros medicamentos da mesma categoria, com destaque para náusea, diarreia e outros desconfortos gastrointestinais.
A aprovação da nova pílula ocorre em um momento de forte expansão do mercado de medicamentos para obesidade, impulsionado pela alta demanda e pela busca por alternativas menos invasivas do que as versões injetáveis. Para especialistas, o cenário atual oferece aos pacientes um leque mais amplo de escolhas, permitindo que o tratamento seja ajustado conforme a realidade de cada pessoa.
Com a chegada do Foundayo, a disputa entre gigantes farmacêuticas ganha um novo capítulo — e os pacientes, por sua vez, passam a contar com mais uma opção promissora na luta contra a obesidade.



